Complexo na Psicologia Junguiana e sua relação com o Trauma
Complexo na Psicologia Junguiana e sua relação com o Trauma

Muitas vezes, em nossa jornada, somos surpreendidos por reações emocionais que parecem desproporcionais ao momento presente. Talvez seja um nó na garganta ao ouvir uma crítica ou um medo paralisante diante de uma nova oportunidade. Para a Psicologia Analítica e para as neurociências modernas, esses episódios têm nome e fisionomia: estamos falando de traumas e complexos.

A visão de Jung: O Complexo como autonomia da alma

Para Carl Jung, o complexo é uma parte da nossa psique que se tornou “autônoma”. Imagine que sua mente é um país e, devido a uma experiência impactante, uma pequena província resolveu criar suas próprias leis e se isolar.

Dessa forma, o complexo funciona como um nó de energia carregado de emoção. Todavia, ele não é necessariamente algo ruim; ele é uma resposta da psique para tentar proteger você. O problema surge quando esse nó é “constelado” (ativado). Nesse momento, o Ego perde o comando e o complexo assume o leme do barco, fazendo você agir de formas que, mais tarde, você não reconhece como suas.

Teorias contemporâneas: O trauma no corpo e no cérebro

Por outro lado, as teorias contemporâneas do trauma, como as de Bessel van der Kolk (O Corpo Guarda as Marcas), trazem uma camada biológica a essa explicação. O trauma não é apenas uma “memória ruim”, mas uma mudança no funcionamento do sistema nervoso.

Consequentemente, quando vivemos algo avassalador, o cérebro armazena essa experiência de forma fragmentada. Enquanto a mente consciente tenta esquecer, o corpo continua “marcando o tempo”. Para quem vive como expatriado, por exemplo, o estresse da adaptação pode reativar traumas antigos, pois o sistema de alerta do cérebro fica constantemente ligado. Assim, um cheiro, um tom de voz ou o isolamento social podem disparar uma resposta de luta ou fuga que parece vir do nada.

O encontro das visões: O complexo como a “cicatriz” do trauma

Portanto, podemos dizer que o trauma é o evento feridor, enquanto o complexo é a estrutura psíquica que se organiza ao redor dessa ferida. Na minha prática clínica, eu enxergo essas duas dimensões simultaneamente.

  • A escuta do corpo: Nas intervenções, observamos como a sua ansiedade se manifesta fisicamente. Isso nos ajuda a acalmar o sistema nervoso que ficou “preso” no trauma.
  • A escuta do símbolo: Ao mesmo tempo, investigamos qual é a narrativa desse complexo. O que ele está tentando proteger? Qual imagem ele carrega?
  • A integração: O objetivo da terapia não é “apagar” o complexo, mas sim integrá-lo. Dessa maneira, ele deixa de ser um invasor que toma o controle e passa a ser uma parte conhecida da sua história.

Por que tratar isso na terapia online?

Viver fora do Brasil pode atuar como um catalisador para esses complexos. A distância da rede de apoio e a barreira linguística muitas vezes deixam o Ego mais fragilizado, permitindo que as feridas antigas ganhem voz.

Certamente, o processo de cura exige paciência. No entanto, ao dar nome aos seus complexos e entender como o trauma habita seu corpo, você retoma o poder sobre sua própria narrativa. A terapia é o espaço seguro onde podemos olhar para esses “nós” sem sermos engolidos por eles.

Dê o primeiro passo para a sua integração

Se você sente que certas reações emocionais estão ditando as regras da sua vida no exterior, saiba que existe um caminho de volta para o seu centro. Através da terapia junguiana, trabalhamos para desatar esses nós e devolver a você a liberdade de escolha.

Aquele abraço 🤗,
Patrícia Salvaia

Psicóloga Clínica | CRP 06/191118
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